O Ministro do Planeamento e Desenvolvimento de Moçambique, Salim Valá, anunciou que a retoma de projectos de gás no país está a atrair investimentos da Coreia do Sul, contribuindo para a transformação económica.
Em Janeiro deste ano, teve início a construção do Projecto de Gás Natural Liquefeito (Mozambique LNG), supervisionado pela empresa francesa TotalEnergies, que havia sido interrompido em 2021 devido a um grave ataque terrorista na cidade de Palma, na província de Cabo Delgado. A retoma deste projecto, com um orçamento aproximado de 20 mil milhões de dólares, tornou-se possível após a melhoria das condições de segurança.
O Coral Sul FLNG, operado pela Eni, faz parte da Mozambique Rovuma Venture (MRV), um consórcio que inclui também a ExxonMobil e a China National Petroleum Corporation (CNPC), detendo 70% das acções. Os restantes 30% são partilhados igualmente entre a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) de Moçambique, a Galp de Portugal e a Kogas da Coreia do Sul.
O consórcio coreano, através da Kogas, é parceiro na Área 4 da Bacia do Rovuma, operada pela Mozambique Rovuma Venture, onde detém uma participação de 10%. Segundo o ministro, que falava na reunião ministerial Korea-Africa, realizada em Seul sob o lema “Parceria para Respostas Conjuntas a Desafios Globais”, o gás natural está a contribuir para uma nova fase nas relações económicas entre Moçambique e a Coreia do Sul.
Dirigindo-se a investidores e decisores políticos, Valá sublinhou Moçambique como um destino atractivo para o investimento sul-coreano, destacando factores como a abundância de recursos naturais, a localização estratégica do país, a juventude da sua população e o elevado potencial de crescimento económico.
“O reinício do projecto Mozambique LNG representa uma oportunidade histórica para aprofundar a cooperação económica entre Maputo e Seul. Os projectos de gás devem ser vistos não apenas como plataformas para exportação de gás natural liquefeito, mas como instrumentos capazes de proporcionar a industrialização nacional”, afirmou.
O ministro acredita que a exploração de gás deve estimular o desenvolvimento de infraestruturas, criar novas oportunidades de emprego, reforçar a segurança energética e promover o surgimento de indústrias associadas à cadeia de valor energético. Para tal, Moçambique pretende atrair empresas sul-coreanas para setores como engenharia, logística, petroquímicos, fertilizantes, produção de energia, construção naval, equipamentos industriais e serviços especializados relacionados com o gás natural.
Esta iniciativa ganha importância acentuada tendo em conta a experiência da Coreia do Sul em áreas como engenharia pesada, fabrico, inovação tecnológica e construção naval, considerados setores fundamentais para a transformação económica de Moçambique.
Além do gás natural, Moçambique procura atrair investimento sul-coreano para a exploração e processamento de minerais críticos, cada vez mais procurados no contexto da transição energética global. O país possui reservas significativas de grafite, lítio, titânio e outros minerais estratégicos utilizados na produção de baterias, veículos elétricos e tecnologias limpas. O objetivo do governo é promover o processamento local desses recursos, aumentando o valor acrescentado gerado no país e estimulando o desenvolvimento de novas indústrias.
Valá também destacou a trajetória de desenvolvimento da Coreia do Sul como uma fonte de inspiração para Moçambique. “Em apenas algumas décadas, o país asiático transformou-se de uma economia essencialmente agrícola em uma potência industrial e tecnológica global. Para o governo moçambicano, a cooperação com Seul poderá contribuir para acelerar o processo de modernização económica através da transferência de conhecimento e capacitação técnica”, concluiu o ministro.
Entre as áreas prioritárias de cooperação encontram-se a indústria de transformação, energia, infraestruturas, tecnologias digitais, engenharia, construção naval e formação técnico-profissional. O ministro aproveitou ainda a ocasião para transmitir uma mensagem de confiança aos investidores internacionais, destacando os progressos alcançados na estabilização de regiões anteriormente afetadas por desafios de segurança.























